Saudável pra quem ?

​E hoje, eu fiquei puto.

​Eu sei, não é a melhor forma de começar um texto para um blog pessoal, mas é a que melhor descreve o meu estado de espírito hoje. Tenho voltado a escrever mais e, com o diagnóstico recente de diabetes, meu foco se voltou para questões de saúde, alimentação e a forma como a gente lida com isso. E foi justamente navegando por esse universo que a minha paciência se esgotou.

​Vi uma amiga ensinando uma "receita de bolo saudável" no Instagram. De cara, a promessa soou atraente: aveia, banana, sem açúcar refinado. Perfeito, certo? Aparentemente. Mas é aí que mora o perigo e o que me fez ferver.

​O que ela não disse — ou ignorou completamente — é que a quantidade massiva de carboidratos presente na aveia e na banana se transforma em açúcar no nosso organismo. E isso, para uma pessoa com diabetes como eu, ou para alguém que busca um controle glicêmico, não tem nada de "saudável". A falta de contexto e a generalização são os maiores vilões. Uma receita que pode ser ótima para um atleta que precisa de energia rápida, se torna uma armadilha para quem lida com sensibilidade à insulina.

​O segundo ponto, e talvez o que mais me enfureceu, foi a forma como ela vinculou o consumo daquela receita ao seu próprio emagrecimento, que, segundo ela mesma já havia compartilhado, veio de uma cirurgia bariátrica. A mensagem subliminar era: "olha como eu emagreci comendo isso". Essa associação é desonesta. Ela não explicou que a bariátrica alterou radicalmente a forma como o corpo dela absorve nutrientes e lida com a comida, e que esse fator é o principal responsável pela perda de peso.

​O que me leva a refletir sobre a responsabilidade que temos ao disseminar informações, especialmente nas redes sociais. Não se trata de censurar, mas de ter a honestidade intelectual de ponderar o impacto do que se compartilha. Uma receita, um conselho, uma dica de treino — tudo isso pode ter efeitos muito diferentes dependendo de quem está do outro lado da tela.

​E aqui, entra a minha formação em jornalismo. A gente aprende, logo no início, a importância da checagem de fatos e da análise crítica. A informação é uma ferramenta poderosa e, como tal, precisa ser manuseada com cuidado. O que é verdade para um, pode não ser para todos. E omitir detalhes cruciais, ainda que sem má-fé, é uma forma de desinformação.

​Eu sei que a intenção da minha amiga era boa. Mas a verdade é que o impacto pode ser negativo para muita gente. A minha indignação é um chamado para que a gente pare, respire e pense antes de compartilhar. Vamos ser mais responsáveis com o que a gente publica. Afinal, a nossa experiência não é a única verdade.

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